Rolandense dirige o atletismo dos Jogos Olímpicos do Rio

Martinho Nobre dos Santos, 60, nasceu no Ceboleiro e já participou de 7 Olimpíadas como chefe da delegação de atletismo do Brasil

Publicado: 05/08/16 • 15h46
Atualizado em: 08/08/16 • 18h56

Um rolandense, nascido no Ceboleiro, é o homem forte do atletismo e dirige toda a competição do esporte nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, cuja abertura oficial acontece a partir das 20 horas desta sexta-feira (05) no Maracanã. Martinho Nobre dos Santos, 60 anos, já foi presidente da Federação de Atletismo do Paraná (FAP) e da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). “Já fui a sete Olimpíadas como chefe da delegação brasileira de atletismo. A primeira vez foi em Seul, em 1988, quando tinha apenas 32 anos de idade”, revela Martinho, em entrevista pelo telefone ao Jornal de Rolândia, enquanto recebe outras ligações sobre os último detalhes da organização da prova de atletismo das Olimpíadas do Rio.

Formado pela PUC-Curitiba em Educação Física, Martinho Organização de todas as competições de atletismo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Morando atualmente no Rio, por causa das Olimpíadas, sua residência fixa é em Manaus, onde ficou a sede da CBAt por quase 20 anos – de 1994 a 2013. “Em 2013, mudaram a sede para São Paulo e fui para lá. No ano passado, em maio, mudamos novamente para o Rio, por causa dos Jogos”, ressaltou o dirigente, que deve retornar a Manaus depois das Olimpíadas.

Martinho hoje é superintendente técnico da Confederação Brasileira de Atletismo, depois de passar pela presidência. Nos Jogos, é responsável pelo atletismo da competição. “Essa é a minha 8ª participação em Olimpíadas. Nas sete anteriores, fui o chefe da equipe de atletismo do Brasil”, relembra. Martinho começou em 1988, em Seul (Coreia do Sul), quando era presidente da Federação de Atletismo do Paraná. Depois vieram Barcelona 1992, Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012. “Como no Brasil sou responsável pelas competições nacionais e internacionais que a CBAt realiza, com a vinda dos Jogos para cá, fui para a organização”, afirmou o superintendente.

Sobre a competição e as chances dos brasileiros, Martinho foi comedido e preferiu não arriscar, já que não tem acompanhado de perto os treinamentos. “O superintendente de alto rendimento é que está mais ligado a isso, mas é claro que a gente espera grandes resultados. Do nosso lado, esperamos que a competição tenha um nível técnico muito alto e que tenhamos alguns recordes quebrados, o clima do Rio favorece isso”, revelou o dirigente. Sobre um possível bom resultado do jamaicano Usain Bolt, Martinho apenas disse: “O Bolt é o Bolt”. O superintendente afirmou que espera que seja uma grande competição.

Vida
Martinho Nobre dos Santos nasceu no bairro do Ceboleiro em 11 de novembro de 1955 e era filho de João dos Santos, um português que se casou em Siqueira Campos com Ligia Moreira Ribas Santos. “Nasci perto de uma estação de trem que acho que nem existe mais”, afirmou Martinho. O casal se mudou para São Paulo, onde teve uma filha – a família se mudou direto para o Ceboleiro, em Rolândia, no início da década de 1940. “Acho que em 1941 ou 1942. Não sei direito. Nasci em 1955 e depois minha família se mudou para Curitiba, em 1957. Por isso cresci na capital do Estado”, relembra o dirigente.

Ao todo, foram sete irmãos, cinco nascidos no bairro de Rolândia, e a caçula nascida na capital do estado. “Hoje dois moram em Paranaguá, quatro em Curitiba e eu sou itinerante, mas com residência fixa na capital do Amazonas”, ressaltou Martinho. O dirigente também lembra que já competiu por Rolândia na década de 1980, no lançamento de disco. “Pedi para o Tucano me inscrever e disputei Jogos Abertos por Rolândia, mas nunca fui um grande atleta”, relembra. Ivar Benazi, o Tucano, é seu amigo de longa data e foi a ponte entre o superintendente e a reportagem do JR.

O gosto pelo atletismo veio com os irmãos, que eram competiam. “Um dos meus irmãos mais velhos foi recordista paranaense de lançamento de disco e de arremesso de martelo, outro foi de arremesso de peso. Todos do Ceboleiro. Eu ia assistir a eles competirem e notei que faltavam árbitros. Então fui ser árbitro de atletismo bem novo e depois passei para a parte da coordenação das competições. Aí que começou, mas como um hobby – isso no começo dos anos de 1970”, relembra Martinho. O seu primeiro cargo foi o de diretor-administrativo da FAP em 1973 e fiquei de secretário até 1977, saiu e voltou e ficou até 1982. “Depois fui presidente da Federação de 1983 até 1990. Nessa época eu já tinha começado a organizar os eventos da CBAt e cheguei a morar em Belém coordenando um projeto até 1993. Aí, o presidente da Confederação resolveu levar a sede do Rio para Manaus e me convidou para trabalhar profissionalmente como dirigente. Eu me mudei em março de 1994 e tenho minha casa lá desde então”, afirmou. 
Depois, em 2013 foi para São Paulo e, desde maio de 2015, está no Rio.

Esse corre-corre todo também teve seus sacrifícios na vida pessoal. Martinho não se casou e também não teve filhos, ainda. “Viajando que nem doido, fica difícil”, concluiu Martinho, que pretende vir para Rolândia depois das Olimpíadas. 

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