Síndrome de Burnout - por Dra. Isabella Gouveia

O termo burnout significa “queimar até o fim”, e é essa a sensação que o paciente tem, de que se desgastou até um ponto em que não tolera mais nada

Publicado: 12/04/18 • 15h35
Atualizado em: 11/12/18 • 18h39

    A Síndrome de Burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional, é uma condição caracterizada por um esgotamento físico e emocional relacionado ao trabalho. A pessoa acometida apresenta um estado de tensão emocional constante com irritabilidade, mudanças bruscas de humor, dificuldade de concentração, ansiedade e episódios de explosão, agressividade. O termo burnout significa “queimar até o fim”, e é essa a sensação que o paciente tem, de que se desgastou até um ponto em que não tolera mais nada, e então explode. Isso pode levar a rompantes com o patrão, com colegas, com clientes, e trazer sérios prejuízos profissionais. Além dos sintomas psíquicos, são comuns os sintomas físicos, como dores de cabeça constantes, cansaço, dores musculares, insônia, elevação da pressão arterial. Por isso o paciente com frequência procura outros médicos antes de chegar ao psiquiatra.

    Essa síndrome ocorre principalmente em profissões que exigem um grande envolvimento interpessoal direto e intenso. Exemplos são os professores, bombeiros, policiais, agentes penitenciários, profissionais da saúde, etc. Acontece quando a pessoa é muito exigida, por si mesma e pelo próprio trabalho, mas a recompensa é baixa, ou seja, não há grandes reconhecimentos, o trabalho não traz qualquer tipo de prazer. É uma soma de frustrações ao longo do tempo.

    É importante que se detecte os sinais antes que se tornem um transtorno psiquiátrico mais sério, como uma depressão, por exemplo. Às vezes, as pessoas acham que tem que aguentar o estresse, que faz parte do trabalho, e demoram para procurar ajuda. As pessoas que estão sempre ligadas no trabalho, que não conseguem dizer não, que acumulam funções, que vão deixando atividades de lazer e tempo com a família de lado para trabalhar são as que estão em maior risco para desenvolver a síndrome de Burnout.

    A prevenção e o tratamento exigem em primeiro lugar que a pessoa aprenda a colocar limites na vida e a minimizar o estresse, prestando atenção em si mesmo, cuidando da própria saúde. É fundamental mudar o estilo de vida, cuidar da alimentação, praticar atividades físicas e de lazer, e principalmente ter tempo para a família e para pessoas próximas, pois já foi comprovado que o principal fator protetor para a síndrome de Burnout é ter o respaldo de pessoas queridas por perto.

Isabella Gouveia é médica psquiatra e atende na Otocentro (Willie Davids 390, sala 25)

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