EMPATIZANDO

Sou gorda sim!

Publicado: 05/02/19 • 18h07
Atualizado em: 23/04/19 • 21h35

    “Sou muito tranquila, principalmente depois que o Heitor veio. Ele está com dois anos e meio. Sempre gostei muito de cinema, sempre tento ir e gosto muito de sair para dançar também, mas é uma coisa que não faço muito frequentemente. Na adolescência, eu era a louca dos livros, adorava ir na biblioteca municipal toda semana. Acho que influenciou bastante na carreira eu gostar bastante de ler. Gosto muito de ver Netflix também, é um dos meus hobbys no momento.

    Me entristece nas pessoas a falta de empatia, o pré julgamento antes de conhecer. Não que eu nunca tenha feito isso, só que acho que é um momento para aprender, antes de abrir a boca para apontar alguma coisa, parar para analisar. Fiquei grávida de modo não planejado durante a faculdade. Acredito que eu tenha sido julgada por isso, nunca me veio diretamente, mas eu observava alguns olhares. Ainda tem muito essa ideia de que só engravida quem quer e não é assim. Fiquei muito abalada, precisei de apoio da minha família e do meu marido, mas em nenhum momento pensei em não tê-lo. Foi um divisor de águas de quem eu era e quem eu sou.

    Nunca fui uma pessoa magra, sempre fui gorda. Não gosto do termo ‘gordinha’, acho que é para tornar a palavra ‘gorda’ menos ofensiva. Mas, você chamar alguém de gordo não deveria ser ofensivo, gordo é um aspecto da pessoa, como ser magro, alto, baixo... Às vezes o ‘gordinha’ é para amenizar. Claro que não é legal uma pessoa chegar do nada e falar que você está gorda, querendo te deixar para baixo. 

    Quando comecei a faculdade, passei a mudar os questionamentos dentro de mim, principalmente depois que conheci pessoas e ideologias do feminismo na internet. Até hoje me considero feminista, mas ainda não sei tudo, estou em um processo de aprendizagem. Foi a partir daquele momento que comecei a me aceitar. Se a mulher quer emagrecer porque sente vontade ou por questões de saúde, tudo bem, não sou contra o emagrecimento, sou contra a cultura do peso. 

    Eu ainda consigo ir em uma loja e encontrar roupas para mim, tenho que procurar um pouco, às vezes não tem o número ou se tem, é bem acima do valor. Sempre saio fazer compras com a minha mãe e ela já teve uma imensidão de acontecimentos preconceituosos. Se você vai em uma loja, não tem uma roupa do seu tamanho, você vai achar que o problema está onde? Em você. Não é você que tem que se enquadrar naquilo, as empresas é que não voltam os olhares para as pessoas que tem peso maior. Tem que ser acessível. As pessoas gordas também precisam de acessibilidade, não só na moda, mas em locais como ônibus e avião. Percebo que existem coisas que foram feitas para pessoas de determinado peso e ponto. Acima daquilo, elas já passam por dificuldade. Uso muito minha mãe como referência pois ela passou por situações muito constrangedoras.

    Sou gorda, sim. Tem pessoas gordas com formato de corpo menor e tem pessoas em formatos maiores. Por que o gordo te incomoda? Tem pessoas que falam da questão da saúde, que não é pela estética. Eu tenho uma opinião pessoal de que você não está preocupado com a saúde, é a imagem da pessoa gorda que o incomoda. Até porque têm magros que não são saudáveis”, afirmou Nayara, que é jornalista.

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