Jararaca é capturada (e solta) na Bimini

Procedimento de captura é detalhado pelo educador ambiental Daniel Steidle e pode ser feito até com um galho

Publicado: 09/02/19 • 15h23
Atualizado em: 25/08/19 • 00h06

   Uma jararaca foi encontrada na horta da fazenda Bimini em torno das 15h da última quinta (31). Como essa situação sempre representa um pavor para a população, o educador ambiental Daniel Steidle promoveu na própria fazenda um mini treinamento para captura adequada da serpente com as orientações mais importantes de manejo. Quem capturou o réptil foi o colaborador da fazenda Carlinhos.


   Steidle explicou que as serpentes aparecem devido a um desequilíbrio ecológico. “Falta mata e faltam predadores. Temos lixo, que atrai o rato e, atrás do rato, vem a serpente”, detalhou. A recomendação para evitar que elas apareçam é manter sempre o terreno limpo. Além disso, criar galinhas pode espantar serpentes e também escorpiões, além de outros insetos indesejados. A jararaca, uma espécie venenosa, estava em um caixa adequada e seria solta mais tarde – antes, Daniel ensinou como ela pode ser capturada (e não morta) até com um galho.

A captura
   O primeiro passo para capturar a serpente é não ficar com medo. A técnica que Steidle ensina é a mesma praticada pelos Bombeiros e Polícia Ambiental. O réptil deve ser capturado, colocado em um balde ou caixa de madeira e então devolvida à mata, seu habitat natural. Antes de mais nada, é fundamental afastar crianças e animais do local. A captura dever ser realizada com um gancho, rastelo ou até o rodo. A jararaca coloca a língua pra fora para “mapear o ambiente”, como mostrou Steidle durante o procedimento. O gancho (ou outro artifício) deve ser aproximado dela com tranquilidade para que o animal se enrosque e, só então, ele deve ser inserido no balde ou caixa até que ela seja solta na mata.

   Carlos Silvano Roma foi quem se deparou com a serpente na quinta (31). Ele relatou que já encontrou várias serpentes e, como não sabia o procedimento, acabava matando-as, até por ignorância de sua importância para o homem. Agora, instruído, entendeu o papel delas para o ecossistema e aprendeu a técnica para não machucá-las. “A serpente é importante assim como nós aqui na terra, ela tem a parte dela”, refletiu.

   Em caso de picada a pessoa deve permanecer deitada. “Não pode amarrar, nem fazer torniquete, nem usar pinga... Deixe a pessoa o mais quieta possível e lhe dê bastante água”, orientou Steidle. Ele sempre ressalta que a pessoa tenha calma quando encontrar a serpente, no momento da captura e caso ocorra uma mordida. “O segredo é manter a calma”, resumiu.

   A vítima deve ser encaminhada ao Hospital Universitário (HU) de Londrina, que está preparado para atender a situação. “Eles vão fazer o teste e identificar qual é o tipo de serpente, porque pode ser que você achou que era uma jararaca, mas era uma coral ou dormideira, das que não têm veneno. Mas, ao dar a mordida com a boca cheia de bactérias, vai acabar infeccionando”, explicou. O soro só deve ser aplicado com orientação médica, porque caso não seja adequado ao veneno, pode causar um choque anafilático.

Cobra ou serpente?
   Serpente é o nome dado ao réptil que se locomove rastejando, que não possui membros e pode ou não ser peçonhento. Já cobra é um nome próprio que se refere à espécie de serpente Naja hannah ou Cobra-Rei (como é popularmente chamada). Nossas serpentes (jararaca, cascavel, cega, dormideira) são chamadas de cobras porque quando os portugueses chegaram ao Brasil e se depararam com as serpentes, imaginaram que fossem as conhecidas como Cobra-Rei, e a partir daí todas viraram cobras.

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