PC abre inquérito sobre a confusão no posto de gasolina

Delegado comenta os procedimentos da investigação do caso em que duas vítimas foram baleadas por um policial e uma veio a óbito

Publicado: 19/08/19 • 17h46
Atualizado em: 19/08/19 • 19h46

    A Polícia Civil abriu inquérito na tarde desta segunda (19) para apurar os disparos de arma de fogo em um posto de gasolina na madrugada de domingo (18) em Rolândia, que culminou na morte de Thiago Bender, de 31 anos, e causou ferimentos de bala em João Victor Bernardi de Lima, 23 anos.

    O delegado da 29ª Delegacia de Polícia Civil de Rolândia, Bruno Rocha, afirmou à imprensa que o HD que armazena imagens da câmera de segurança foi apreendido e será enviado para análise da perícia. “Inicialmente, não conseguimos ter acesso aos vídeos, não temos ciência se o aparelho estava com algum defeito ou se as imagens foram deletadas, ou se já não gravava há muito tempo. Por isso, vai ser enviado à perícia”, explicou. Caso as imagens tenham sido apagadas, a perícia é capaz de recuperá-las.

    A Polícia Militar também abriu inquérito para investigar o caso e, de acordo com o delegado, as informações dos inquéritos entre PM e PC serão compartilhadas. Além disso, a Polícia Civil ouvirá testemunhas que estavam no local do crime e providenciará a perícia dos veículos, da arma e dos projéteis.

    Segundo o delegado, o inquérito tem inicialmente o prazo de 30 dias para ser concluído. “Se eventualmente a Justiça concordar que é competência da Justiça Militar, o inquérito é enviado para a Justiça Militar proceder com a ação penal, da mesma forma, pode acontecer o contrário se for concluído pela Justiça comum”, detalhou.

    Entenda o caso
    Dois jovens rolandenses foram baleados na madrugada deste domingo (18) por um policial militar em um posto de combustíveis de Rolândia após uma confusão no estabelecimento. Por enquanto, a versão que se tem do caso vem do policial, que registrou boletim de ocorrência. “Por isso, precisamos da perícia urgente do HD com as imagens e iniciar as oitivas da outra vítima e das pessoas que estavam no posto”, justificou o delegado Bruno Rocha.

    Segundo informações, Thiago e João Victor teriam ido até o posto para comprar cerveja e houve uma confusão na fila da conveniência daquele estabelecimento. O policial militar teria se envolvido e houve uma briga entre o PM e Thiago; logo após a contenda, Thiago entrou no carro em companhia de João Victor e teria tentado atropelar o policial, que efetuou tiros contra o veículo – um disparo atingiu Thiago na cabeça e outros dois atingiram João Victor, no braço e na barriga.

    O Samu foi acionado e levou Thiago para o Hospital Evangélico em Londrina. Ele não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã de segunda (19). João Victor foi levado para o Hospital São Rafael, em Rolândia, mas não corre risco de vida.

    O policial militar, Felipe Roberto Chagas, em seu relato, afirmou que parou no posto para abastecer e viu uma briga e que tentou apartar, mas que um dos envolvidos o teria agredido, que usou a força necessária para conter a agressão. Ele contou, ainda, que Thiago e João Victor entraram no carro e que Thiago o atropelou. O PM relata, no BO, que disparou dois tiros contra os dois. A PM também emitiu um comunicado, endossando a versão de Felipe. Em seguida, o policial militar foi até a Santa Casa de Cambé para exames complementares e para receber cuidados médicos.

    Posteriormente, Felipe se apresentou voluntariamente no 15º BPM, entregou a arma utilizada (uma pistola Taurus) e foi confeccionado um Boletim de Ocorrência (de número 962644/2019). O fato de o policial ter se apresentado espontaneamente ao batalhão da PM é favorável a ele como acusado, explica Bruno Rocha. “Mas é importante deixar claro que as investigações serão conduzidas tanto pela Polícia Militar e pela Polícia Civil de maneira isenta, como seria feito com qualquer outra pessoa”, assegurou o delegado. O policial foi afastado temporariamente do serviço.

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