Prefeito denuncia vereador e comerciantes

Uma lista de indicações para cargos de confiança teria sido entregue em mãos visando negociar votos contrários à CP, relatou Francisconi

Publicado: 05/09/19 • 11h40
Atualizado em: 16/09/19 • 05h53

    O prefeito de Rolândia, Luiz Francisconi Neto (PSDB) concedeu entrevista exclusiva ao JR, na manhã da segunda (02), denunciando que foi vítima de coação de um vereador e dois comerciantes. O comerciante Diego Silva teria intermediado conversas entre o prefeito e o vereador Reginaldo Silva (SD) que, em uma reunião, teria entregue em mãos a Francisconi uma lista de indicações para cargos de confiança. Em troca desses cargos, eles garantiriam votos contra a instauração de uma possível Comissão Processante (CP). 

    A decisão de falar foi difícil para Francisconi, que relatou muita dificuldade de governar desde que voltou ao cargo, em fevereiro deste ano, devido a várias denúncias e problemas administrativos. O prefeito relatou que não teve oportunidade de ser ouvido no processo que correu ano passado e isso o motivou a se pronunciar sobre esse caso. Ele ressaltou ainda que não pretende continuar na política. “Quero apenas terminar meu mandato da melhor forma possível”, afirmou. 

    A denúncia - Segundo o prefeito, tudo começou no início de julho, quando o comerciante Diego Silva, que fez parte do secretariado de Francisconi no primeiro mandato, entrou em contato com ele pelo WhatsApp para marcar uma reunião urgente sobre um assunto que interessava a ele e ao grupo.

    Como Diego pediu, a reunião aconteceu em Londrina e, Lucinei Masson, também comerciante, esteve presente – os dois são do partido SD. O prefeito revelou que Diego disse estar preocupado com a articulação na Câmara, por parte do presidente, para abrir a CP contra ele, no caso administrativo que envolve a sua esposa, médica do município. Nesse contexto, o comerciante teria dito que o prefeito precisava garantir urgentemente dois votos para impedir a abertura da CP. “Não foi uma impressão minha, foi o que foi falado”, destacou Francisconi. 

    Naquele momento, início de julho, nenhum vereador havia apresentado a CP, o que só veio a acontecer mais de um mês depois através de Rodrigão (SD) na última segunda, 26 de agosto. A sugestão de Diego a Francisconi foi trazer o vereador Reginaldo Silva para o lado favorável ao prefeito. “Eu já conversei com ele e ele está disposto”, teria dito o comerciante a Francisconi. 

    Segundo Diego, o vereador Rodrigão acabaria acompanhando a decisão de Reginaldo. 
Foi combinado que seria realizada outra reunião, desta vez com a presença de Reginaldo e Francisconi concordou em conversar. “Sempre estive aberto à conversação e ao diálogo com todos os vereadores”, justificou. O prefeito até confessou uma possibilidade de renúncia. “Falei: olha, Diego, digo para você que se realmente houver uma CP, não sei se aguento, se fico, permaneço. Minha vontade era realmente de sair, porque é muito desgastante”, contou Francisconi. A reunião seguinte foi então agendada. “A todo momento, eu fiz questão de dizer: Diego, isso não quero que isso seja alguma barganha ou compra, algo assim”, garantiu o prefeito. 

    A coação - A segunda reunião aconteceu na Prefeitura, no gabinete do prefeito, mesmo que Diego tenha pedido que fosse novamente em Londrina. O comerciante recusou que uma pessoa de Francisconi acompanhasse a reunião e ela aconteceu com a presença do prefeito, Diego, Lucinei e Reginaldo.

    O vereador teria ressaltado a importância de ter paz no relacionamento entre Executivo e Legislativo. No relato de Francisconi, Reginaldo teria dito: “Precisamos se aproximar por causa da CP que está chegando, é uma coisa que precisamos acertar rápido, pode ser a qualquer momento”, contou. O prefeito teria voltado a repetir: “Não quero que isso seja barganha”. Reginaldo teria dito que não se tratava disso, mas ofereceu ao vereador a oportunidade de apresentar algum projeto pela cidade. “Se você tiver algum projeto, algum sonho pela cidade, traz para que a gente possa fazer isso junto, viabilizar recursos e ver o que a prefeitura pode fazer”, contou.

    Reginaldo falou que já tinha um projeto e Francisconi disse que ele poderia trazê-lo em outra oportunidade para discussão, mas o vereador afirmou que já estava com ele e tirou um papel de seu blazer com o dito projeto. Escrito provavelmente a próprio punho, o papel continha uma lista de cinco nomes e as sugestões dos respectivos cargos. 

    As indicações seriam para secretário de Serviços Públicos, secretário de Infraestrutura (duas opções de nome), diretor de Serviços Públicos ou Infraestrutura e um cargo CC4 na Infraestrutura. “Não sei até que ponto as pessoas sabem que estão na indicação”, afirmou Francisconi.

    Segundo critérios jornalísticos, o JR optou por preservar os nomes listados por não ter conhecimento se os citados sabiam que seus nomes estariam na lista de indicações e em que contexto seriam oferecidos ao prefeito como cargos de confiança pelo voto de Reginaldo. 
Francisconi disse que analisaria a situação, até porque os cargos estão ocupados, e ficou com o papel de Reginaldo e falou que continuaria trabalhando e ver com o tempo o que era possível fazer. “Dentro daquela política de tentar levar as coisas da melhor maneira possível”, explicou. O prefeito disse a eles que deixaria os nomes com uma pessoa de sua confiança e Reginaldo concordou. O vereador disse que a CP estava sendo articulada pelo presidente da Câmara através de outras pessoas e ressaltou que Francisconi precisava garantir dois votos. 

    Independentemente do resultado da votação da CP, o prefeito sentiu que deveria divulgar o caso. Em sua defesa, Francisconi reafirmou sua inocência e diz que é a justiça quem vai determinar a situação administrativa que está em questão na CP. Ainda, afirmou que não negociou os cargos. “Tenho a consciência limpa e cheguei a frisar em vários momentos que não quero que seja uma barganha ou compra de alguém”, afirmou. 

    O prefeito Francisconi garantiu que tomará as medidas cabíveis sob orientação dos advogados. 

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