Coronavírus: lojistas falam sobre o comércio

Em Rolândia, muitos estabelecimentos permaneceram fechados por mais de 20 dias e comerciantes falaram sobre este período e retomada

Publicado: 05/05/20 • 15h43
Atualizado em: 05/05/20 • 15h51

    O comércio de rua em Rolândia passou por uma fase de fechamento que afetou a vida dos lojistas e dos funcionários, em meio à crise do novo coronavírus (Covid-19) – o úlitmo dia trabalhado foi 18 de março. A reabertura, total, mas com restrições, aconteceu na segunda-feira (20 de abril). O JR conversou com três lojistas: um do ramo da confecções, outro de óculos e outro de calçados.

    Impacto financeiro
    Durante o período em que esteve com a loja fechado, o proprietário da ótica Lux, Handerson Henrique Pereira, afirma que sentiu muito os efeitos do fechamento e teve uma grande queda nas vendas. “Como nós não podíamos atender na loja, fizemos alguns trabalhos externos, mas foi bem pouco. Acredito que nossa queda nas vendas foi de praticamente 80%”, relembra.

    Mesmo no período em que estava com as portas fechadas e impossibilitados de atender ao público, o empresário revela que fez o pagamento total do salário dos colaboradores e não precisou demitir nenhum funcionário. “Graças a Deus nós temos um bom capital de giro que me permitiu poder pagar os funcionários, mesmo com as portas fechadas. A única questão é que os vendedores recebem também uma parte das comissões por vendas, e esse valor consequentemente foi menor”, explicou Handerson.

    A proprietária da loja Deslumbre, Ana Paula da Cruz, também explicou as mudanças realizadas na loja em meio ao fechamento. Durante este período ela precisou readaptar algumas coisas porque as contas não deixariam de chegar e a loja conta com duas funcionárias fixas. Na 1ª semana, a proprietária paralisou os serviços por completo, mas depois adotou novas medidas.

    “A gente trabalhou com a divulgação com os produtos pela internet e depois fazíamos a entrega na casa das clientes. A entrega também era feita com segurança com o uso dos EPI’s. Neste período trabalhamos só com venda, não abrimos para o pedido na condicional para não haver contaminação”, revelou. Mesmo com essa medida, Ana acredita que as vendas tenham caído pela metade, durante o período de fechamento, e foi um mês sem lucro.

    Mitiko Hokari Lucio, gerente comercial da Casas Ajita Calçados, também comentou sobre o período e reforçou que mesmo sendo uma empresa um pouco maior, o impacto também foi grande. “No período em que o comércio esteve fechado não conseguimos vender nada e levamos realmente a sério a questão do isolamento. Não abrimos a loja para nada e não tivemos nenhuma venda nesses dias”, explicou.

    A gerente da Ajita contou que teve que dispensar dois funcionários que ainda estavam em experiência e, como ela não viu expectativas para contratação efetiva, por conta do momento de crise, precisou encerrar o contrato com esses colaboradores. “Todos os outros funcionários que estavam impossibilitados de trabalhar receberam seus salários e, na segunda semana de paralisação, optei por lhes dar férias”, afirmou. Mitiko ainda explicou que quando foi realizada autorização para retomar os atendimentos no comércio, o máximo de funcionários permitidos eram nove, mas a loja contempla um quadro de dezessete colaboradores no total. “A opção que eu tive nesse momento foi de utilizar uma medida do governo e fazer a suspensão de contrato com o restante de funcionários que não poderiam voltar”, ressaltou.

    Mudanças permanentes
    Handerson também ressalta que mesmo com a nova reabertura, algumas mudanças ainda permanecem e as vendas crescem de um modo mais lento e gradativo. “Estamos ainda com uma diminuição nas vendas, mas digo que uns 70% já melhorou e esperamos que cresça com o tempo”, explicou. O empresário acredita que o comércio deve permanecer aberto, pois, segundo ele, o fluxo de clientes dentro das lojas não é intenso, e todos os lojistas devem permanecer com as medidas de segurança e higienização. “Acredito que se continuarem evitando as aglomerações, fazendo o uso de máscara e de álcool gel, eu acho que dá sim para o comércio continuar aberto. A loja em si tem um fluxo menor de pessoas comparado aos bancos e aos supermercados”, afirmou. Ele também acredita que ainda dá tempo de fazer boas vendas para o Dia das Mães, que é uma data bem importante no calendário do comércio.

    A proprietária da Deslumbre ressalta que até no processo de recebimento das mercadorias houve uma mudança que agora é realizada via transportadora. Ana também conta que há uma mudança na rotina de vendas, mesmo com a abertura, tanto na quantidade de vendas quanto nos cuidados extras com a segurança das colaboradoras e das clientes. “O movimento já não é o mesmo de antes, mas acreditamos que porta aberta é o que gera dinheiro. Do dia 20 para cá a gente já sentiu uma grande melhora, não alcançamos ainda o movimento que a tínhamos antes, mas, dia após dia, vem melhorando. E sempre estamos tomando as devidas precauções para não ter aglomerações”, contou Ana.

    Na loja Casas Ajita, a gerente afirma que as vendas caíram em 30% e ainda estão a passos pequenos comparado ao tanto que era vendido antes. “Neste momento estou com o quadro reduzido de funcionários e está por enquanto sendo o suficiente, visto que o movimento ainda está bem fraco”, contou Mitiko. Ela tem uma expectativa que a estabilização das vendas ainda vai demorar para acontecer, mas espera que o comércio se mantenha aberto.

    Ela concluiu afirmando que os colaboradores que estão trabalhando estão obedecendo todas as medidas de segurança, utilizando mascaras e fazendo o uso do álcool em gel. “Os clientes também estão colaborando com o uso de máscara, e estamos controlando a entrada de crianças, para evitar o risco de contaminação”, assegurou Mitiko. 

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