Crotalárias reforçam contatos entre alunos e professor

Educadora da Escola Mun. São Fernando propôs plantio da espécie a alunos e se surpreendeu com a participação; planta atrai predador do Aedes aegypti

Publicado: 21/05/20 • 09h35
Atualizado em: 21/05/20 • 10h30

    Além de limpar o ar e decorar a casa, a jardinagem em si pode ser uma verdadeira terapia e uma ótima alternativa para esta fase de quarentena. Pensando nesta questão, e em fortalecer ainda mais o laço com os alunos durante este período sem aulas nas escolas, a professora Rose Muller, da Escola Municipal São Fernando, em Rolândia, decidiu lançar um desafio aos seus 26 alunos do 5º ano matutino: o plantio de sementes de crotalárias.

    A ideia do plantio já estava na cabeça da docente antes da quarentena, mas ela não sabia exatamente qual planta ela iria cultivar com os alunos. Depois disso, Rose recebeu uma doação de várias sementes de crotalárias.

    Foi o que precisava para colocar a ideia em prática. “Eu pedi que me mandassem fotos de eles fazendo o plantio e o cultivo e tive um retorno muito bom. Teve até uma aluna que me disse ter ficado muito feliz ao ver a flor da planta brotando e até chorou de emoção. Minha intenção com esta ação era fazer com que eles cuidassem de um ser vivo e se envolvessem com esse projeto dentro de suas casas, evitando também que saíssem e diminuindo o risco de contaminação pela Covid-19”, explicou a professora.

    A crotalária atrai a libélula, que é um inseto predador do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Com o plantio desta flor no jardim ou quintal de casa, a libélula atraída coloca seus ovos em água parada, assim como o Aedes aegypti: as larvas da libélula vão se alimentar das larvas do mosquito.

    A professora explicou que a ação é uma complementação de outras propostas, em meio as demais atividades que vem encaminhando para os alunos pelo WhastApp. “Recebo diariamente foto deles realizando as ações propostas neste projeto e em demais atividades. Para mim, o objetivo principal desta ação é aumentar o laço afetivo com eles neste momento difícil pelo qual estamos passando”, revelou.

    A diretora da escola, Rita Barbieri, também falou sobre o projeto e afirmou que é uma ação muito importante que deve servir de inspiração para outros educadores. “O trabalho desenvolvido pela professora Rose, que sempre conta com propostas inovadoras e autênticas, é uma forma de trabalhar a conscientização no combate à dengue e tem rendido frutos ao seu trabalho docente. O projeto também tem por finalidade manter o foco no laço afetivo com as crianças, atrelado ao momento de distanciamento social e proteção, devido à covid-19”, afirmou a diretora Rita Barbieri.

    Rose também revelou que, mesmo ainda com a incerteza sobre quando e como serão os retornos às aulas, planeja começar a trabalhar com uma nova proposta. “Vamos começar a estudar as partes de um jornal impresso e os falar dos demais aspectos deste meio de comunicação. É um objetivo que pretendemos concluir”, contou. A professora contará com a parceria do JR nessa nova empreitada.

    Para a professora, a iniciativa do plantio de sementes de crotalárias também tem interferência na relação dos alunos com a família, que é um ponto muito importante. “O envolvimento das famílias com o estudo dos filhos é algo muito importante em todos os momentos”. Além da professora e da diretora, o projeto também contou com o apoio da pedagoga Maria Priscila. “Esse projeto também tem um grande valor para a sociedade e para o nosso trabalho como professor, que atua como mediador do conhecimento”, concluiu Rose Muller.

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