Quando a arte e a vida precisam de restauração

A artista plástica Rosalva Pereira se redescobriu após fazer a restauração de uma obra de arte de terceiros, a primeira em sua vida

Publicado: 17/11/20 • 15h11
Atualizado em: 05/12/20 • 15h36

    Recentemente a artista rolandense Rosalva Pereira Diniz Igarashi recebeu uma grande missão de restaurar uma obra que chegou até ela em pedaços. A artista, atuante desde 2014, contou ao Jornal de Rolândia que essa foi a primeira vez que ela teve uma experiência de restauração artística com uma obra de arte que não pertencia a ela. Segundo Rosalva, a obra será totalmente restaurada ainda antes do Natal.

    No geral a artista sempre restaurava obras que ela mesma criava e que quebravam por algum motivo, ou ainda no forno, mas nunca foi algo que fez para uma terceira pessoa. A obra em questão pertence a um londrinense que adquiriu a peça há 20 anos em Minas Gerais. “Eu percebi que a peça tem um valor sentimental muito grande para ele. A pessoa me procurou sem esperanças, porque já havia procurado outras pessoas para fazer o trabalho antes de mim e nenhuma quis aceitar”, revelou Rosalva.

    Percebendo a urgência e a importância que a peça tinha para a pessoa que a procurou, a artesã aceitou fazer a restauração, mas quando a pegou tinha receios de não conseguir fazer o processo. “Eu a peguei já imaginando que não ia conseguir restaurar, e provavelmente ia passar isso para alguma outra pessoa que tivesse mais experiência do que eu”, revelou.

    E foi neste processo que Rosalva conheceu uma nova habilidade artística que até então ela pensava que não existia. Ela fez todo o processo de restauração sozinha e mesmo ainda não estando 100% finalizado, chegar até aqui para ela foi um desafio muito grande. “Foi no colar dos caquinhos que me descobri e que também percebi que estava só, no sentido de contar com uma ajuda. Não sei se serei uma restauradora de colar os caquinhos subir alicerces sem tijolos, mas aprendi mais uma lição para a vida, que é possível se restaurar, se resignar, pois a vida tem seu preço, cada um escolhe como viver e onde quer está”, afirmou. 

    Arte em meio à pandemia
    Rosalva afirmou que sempre passou por altos e baixos em sua vida e nessa pandemia ela foi ao extremo. A nova forma de viver e a rotina mais restrita por conta do coronavírus a afetou e até a desanimou em alguns momentos durante este período, mas, agora ela sente que tudo pode ser renovado. “Este trabalho de restauração me fez refletir muito sobre as pessoas e em como seria bom se mudássemos sempre em prol do bem para o irmão, fiz essa restauração porque percebi que era algo muito importante para quem me pediu e quando ele me disse no dia que solicitou o trabalho para eu fazer o meu melhor, foi isso que eu fiz”, assegurou.

    Ela ainda revelou que restauração era algo que nunca a agradava e por isso nunca havia feito algo neste sentido. “Gosto de fazer esculturas e não de colar os cacos, dizem que quando se quebra um vaso é difícil deixar colar caquinhos ou deixar igual, até mesmo por eu não ter a destreza da paciência, mas restaurar uma escultura foi uma boa lição. Nessa escultura eu tive que refazer várias partes”, compartilhou Rosalva. 

    A importância de levantar umas às outras 
    Saindo um pouco do tema, a artista também trouxe a importância do apoio que as mulheres em especial precisam fornecer umas às outras. Com a experiência de fazer uma restauração totalmente sem ajuda, ela pontuou como é significativo ser ajudado por alguém, em especial, por outras mulheres do mesmo setor de trabalho. “Eu prezo muito pelo companheiro de trabalho e o respeito mútuo entre as mulheres, mas acredito que a mudança está em nós mesmos, querer o melhor para o outro como querer o bem para a nossa família”, disse.

    Rosalva acredita que este apoio feminino pode começar a mudar aos poucos se todas as mulheres perceberem o peso que isso tem. “Eu como artista plástica, artesã e como ser humano, quero viver em um mundo que as mulheres se respeitem mais, se valorizem mais, porque o mundo já é cruel demais para vivermos de alfinetadas umas das outras”, alertou.  

    A artesã-restauradora ainda brincou e fez uma analogia com as alfinetadas metafóricas e reais. “Mesmo que, em outros tempos, o alfinete era objeto de adorno das mulheres. É preciso brincar um pouco com a dor, faz parte da arte da mulher”, finalizou. 

    Conheça mais sobre o trabalho da Rosalva através do perfil do seu ateliê no Facebook: /rosalvaigarashiartesanato. O contato da artista é (43) 99605-1068 (WhatsApp).

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