Jornada Literária - por Ana Paula Silva

Poesia, Poema e o Poeta Fingidor

Publicado: 16/02/21 • 11h10

     Hoje, a Jornada Literária seguirá rumo ao mundo encantado da poesia, todos a bordo? Bom, é importante entender que o termo poesia diz respeito à manifestação artística expressiva que pode ser ou não representada em palavras, pois trata-se de um elemento abstrato que faz parte da percepção que podemos ter do mundo ao nosso redor. 

    Vinicius de Moraes em seu texto “Sobre a poesia” retrata que o material do poeta é a vida, com tudo que ela tem de sórdido e sublime. As palavras do autor nos ajudam a compreender que a poesia está ao nosso redor como uma manifestação de espírito que escapa de considerações precisas e concretas. Já o poema é a materialização dessas sensações em uma representação textual, na qual são depositados os sentidos percebidos no mundo, nas coisas e nos seres. 

    Convencionalmente, o texto poético diferencia-se da prosa pela organização formal que obedece a determinações de composição como ritmo, rima, sonoridade e plasticidade que são apresentadas em forma de verso. Toda essa estrutura, promove a formalização do poema e, por conseguinte, a captação da expressividade do poeta. Além disso, precisamos entender que a voz de quem fala no texto poético não é a do poeta, mas do “Eu lírico” ou “Eu poético”, voz criada, especificamente, para expressar os sentimentos afetivos que interessam à determinada composição. Isso fica mais fácil de compreender quando pensamos que um poeta que fala sobre amor não precisa estar amando realmente. 

    Desse tópico, partimos para a ideia do poeta fingidor, no poema de Fernando Pessoa, Autopsicografia, é possível observar o aspecto inventivo e criativo do discurso poético. Quando o autor diz: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega fingir que é dor a dor que deveras sente”, sugere a ideia de que mesmo o poeta não experimentando essa dor, isso não o impede de enunciá-la, pois é capaz de pensar no modo como essa dor se manifesta. Essa expressão será tão verdadeira que o leitor poderá reconhecer, nessa dor fingida, a dor verdadeira que sente.

    E das diversas situações poéticas, ainda é possível evidenciar que o poeta faz referência a dicotomia razão/emoção, quando atribui ao coração a necessidade de entender a razão, sugerindo a utilização dos artifícios intelectuais para a expressão do emocional. 

    Portanto, sendo a poesia uma manifestação das coisas da vida, talvez sejamos todos poetas! 

Leiam poemas! 

Ana Paula Silva é formada em Pedagogia e Letras

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