Jornada Literária - por Ana Paula Silva

Livros que precisamos ler antes de morrermos #3

Publicado: 17/03/21 • 09h53

    Seguimos firmes com o propósito de resumir alguns dos livros mais importantes para a vida de qualquer leitor, segundo a minha opinião. E nesta semana, em homenagem as mulheres, trarei aqui dois livros muito importantes. Estes livros e estas escritoras contribuíram para a história da escrita feminina no Brasil e também carregam lições de um valor incomensurável. São eles:

    1- Olhos d’água (Conceição Evaristo) – “Vi só lágrimas e lágrimas. Entretanto ela sorria feliz” (p.18). Por meio desse trecho dá para compreender a profundidade da escrita dessa autora. Além de romper com a estrutura social, sendo uma escritora mulher e negra, também rompe com os modelos esperados de escrita “de mulher”, possui uma linguagem própria que emana a cultura de seus antepassados. Nesta coletânea de contos, intitulada Olhos D’água, Evaristo, narra mulheres. Mas, mais do que isso, narra mulheres de verdade, mulheres que sofrem, mulheres que padecem por serem mulheres, ou então, por serem negras, ela percorre a rua das periferias e mostra que, infelizmente, o corpo negro ainda é alvo de injustiças. “A mulher negra tem muitas formas de estar no mundo”, esse pedacinho da introdução nos permite compreender a “variedade de histórias” contadas de forma real, sem eufemismos, em um cenário de discriminação e pobreza, sobre a vida de mulheres mães, filhas, irmãs, Natalinas, Anas, Cidas e muitas outras. 

    2- O quinze (Raquel de Queiroz) – “Teve o súbito de emigrar, de fugir, de viver numa terra melhor, onde a vida fosse mais fácil e os desejos não custassem sangue” (p.54).  Acredito que essa frase traga um pouco da atmosfera rude descrita por Raquel de Queiroz nessa história, o teor dessa obra traz em seu bojo, não só a boa qualidade escrita, mas as marcas de uma escritora que, aos dezesseis anos de idade, utilizou-se da escrita para expressar suas inquietações mais latentes. A simplicidade na linguagem aponta para o regionalismo, característica da escrita na época, e para o despojamento da estrutura narrativa. As cenas são capazes de transportar o leitor para o sertão seco, onde tudo murcha, erra, some e morre. Conhecemos a vida na terra seca, por meio da história de Chico Bento e sua família, desempregados, resolvem ir a pé até a cidade de Fortaleza em busca de melhores condições de vida, enfrentam situações muito difíceis até chegarem em seu destino, também conhecemos Conceição, Vicente e muitos outros personagens que, juntos, contribuem para a construção de uma narrativa valiosíssima, capaz de nos mostrar a importância da resiliência e da necessidade de reerguer-se, pois com a vinda da chuva a esperança dos nordestinos renasce. 

    É isso aí pessoal, vamos valorizar a escrita feminina, para isso, leia mulheres!!
    Boas leituras! 

Ana Paula Silva é formada em Pedagogia e Letras

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