Vacina contra a Covid-19 da UFPR pode iniciar testes clínicos em seis meses

Fase de testes pré-clínicos em camundongos deve terminar até a metade de 2021

Publicado: 05/04/21 • 14h48

    A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) alcançou bons resultados em testes pré-clínicos e os testes em humanos podem começar daqui a seis meses. A previsão foi confirmada pelo reitor Ricardo Marcelo Fonseca em audiência na Assembleia Legislativa do Paraná. O Legislativo vai destinar R$ 2 milhões para a pesquisa. Pelo cronograma atual, a vacina poderia ficar pronta e disponível em 2022.

    Durante um encontro virtual, realizado nesta última segunda-feira (29), o reitor e outros três professores e pesquisadores da UFPR destacaram que a vacina paranaense demonstrou títulos de anticorpos iguais ou superiores à vacina de Oxford/AstraZeneca. “Temos hoje no Brasil cerca de 10 vacinas em desenvolvimento, sendo que a nossa entre as cinco mais avançadas. Nossa previsão é de que em seis meses podemos chegar na fase de testes clínicos”, informou o reitor da UFPR.

    De acordo com os pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, a vacina se mostrou eficaz sem o acréscimo de adjuvante, substância utilizada para facilitar a resposta imune normal. As partículas do polímero bacteriano polihidroxibutirato (PHB), utilizadas pelos pesquisadores para inserir partes da proteína viral do Sars-CoV-2 no organismo, já apresentam a atividade de adjuvante, causando resposta imune em camundongos.

    De acordo com Ricardo Marcelo Fonseca, a vacina usa insumos nacionais, o que diminui o custo de produção do imunizante. Além disso, torna o processo menos dependente de exportações e boas relações internacionais.

    Até o momento, a pesquisa recebeu aporte de aproximadamente R$ 230 mil pela Rede Vírus, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), além de outros R$ 40 mil em recursos próprios da universidade. De acordo com Souza, os custos envolvidos podem chegar a R$ 30 milhões, considerando todas fases dos testes pré-clínicos e clínicos, baseando-se em pesquisas já finalizadas e no material publicado sobre o assunto. 

    Durante a reunião, o coordenador da frente parlamentar, deputado Michele Caputo, salientou o “esforço heroico” dos pesquisadores em avançar nos testes com o valor obtido até agora. Caputo anunciou que a frente solicitará à mesa Diretora da Alep o aporte de R$ 2 milhões para incremento das pesquisas. 

    Ao final da reunião, o reitor da UFPR reafirmou a disponibilidade da instituição para trabalhar a favor da sociedade, mesmo com os sucessivos cortes no orçamento nos últimos anos. “O SUS, a ciência e a universidade precisam ser olhadas com carinho. É importante que todos os setores da sociedade se deem as mãos. A universidade está ao lado do povo paranaense”, concluiu Ricardo Marcelo Fonseca.

Fonte: Portal UFPR

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